Celorico de Basto

mapaO concelho de Celorico de Basto encontra-se situado no extremo do distrito de Braga e confronta com espaços terminais do Douro e Trás-os-Montes.
Apresenta uma área geográfica de 181,1 km2 e uma população que ronda os vinte e dois mil habitantes, distribuídos pelas suas 22 freguesias.
Rodeado por cadeias montanhosas, das quais se destacam o Marão, o Alvão e a Cabreira, tem no pico do Viso o ponto mais elevado a 856m de altitude. Com um relevo acidentado, apresenta vastas áreas planálticas entre os 400 e os 700 metros de altitude alternando com vales estreitos e alongados que descem até ao rio Tâmega.
Celorico de Basto foi habitado desde tempos muito remotos, tal como nos testemunham as marcas que a civilização Castreja por aqui deixou.
Primitivo povoamento pré-romano, que contador de Argote, João de Barros e Xavier de Serra procuram identificar com a milenária celiobriga, importante cidade que terá sido habitada por povos Celerinos e Bastiandos, de que terá resultado o patronímico Celorico de Basto.
Mas para além destes povos, outros há que deixaram profundas marcas por estas bandas, nomeadamente os romanos, cujos vestígios são uma realidade a todos quantos nos visitem.

Castelo de Arnoiacastelo

Um marco não menos significativo é o Castelo de Arnoia, ex-libris do concelho, de fundação anterior à nacionalidade. Segundo a tradição, foi junto a esta fortificação que se instalou a primeira sede do concelho e denominada Villa de Basto. Em 1719, por provisão de D. João V, esta passou para o lugar de Freixieiro, hoje oficialmente Celorico de Basto.

O concelho oferece-nos um vasto e rico património histórico-artístico em que se salienta vestígios arqueológicos de inestimável valor no planalto da Lameira, as festas e romarias, as feiras, o folclore e os jogos e costumes tradicionais, os pelourinhos, as igrejas e as inúmeras casa solarengas que constituem herança patrimonial e sócio-cultural de muito interesse.

casaArquitectónicamente, algumas destas casas fizeram questão de manter o tipo de casa-torre medievalista, enquanto a maior parte evoluiu para as plantas rectangulares com compridas fachadas. Em todas elas podemos observar a beleza dos seus portões armoriados e frontaria, sem esquecer os afamados "Jardins de Basto" geometricamente concebidos, com seus talhões de novidade, casas de sombra e espelhos de agua, as áleas de buxo e flores de cameleiras.

artesanatoO artesanato, meio de expressão popular, encontra-se espalhado por todo o concelho. Os bordados a fio de ouro são uma marca de Celorico de Basto, em peças de linho ou de veludo, são elementos de rara beleza de decoração. A tecelagem de linho, as mantas e tapetes de trapos e a cestaria, têm menor expressão, mas podem ainda ser encontrados.

gastronomiaA gastronomia é um festim a não perder. O arroz de cabidela de frango caseiro continua a fazer as delicias dos apreciadores de boa mesa, ao qual não pode faltar o acompanhamento de um verde tinto. O bacalhau, fiel amigo, tem presença assegurada e preparado das mais diversas maneiras. Famoso ficou o chamado "bacalhau à freixieiro", preparado com broa e bom presunto. As gostosas couves com feijão, acompanhadas com toucinho, o cabrito assado com arroz do forno, o cozido à portuguesa e a feijoada com chispe, são as preferências dos apreciadores de carne. Os fumeiros, com destaque para o presunto e salpicão, servem-se a qualquer hora. A delicadeza vem com a doçaria: pão-de-ló, cavacas, rosquilhos, galhofas... pudim caseiro. E, por cima de tudo isto, a bênção espirituosa de um bom vinho verde, que o temos bom, sim senhor.

pontePaisagisticamente, Celorico da Basto é a orquestração sinfónica de policronia. Os tons sucedem-se, harmonizam-se, completam-se, sem que o ritmo deixe de estar presente, desde a área da desolação ate ao coral da plenitude. É o contraponto das arvores despidas de folhas e dormentes de frio, quais fantasmas espavoridos, a refazerem na seiva as primeiras saudades de futuro. São as tonalidades viris das searas balanceando de encontro ao céu, o rumor cantante das espigas. É o crescendo melódico em que todos os caminhos vão encontrar a Primavera que, neste canto privilegiado do Minho, rege os concertos da vivacidade e da luz.

canoaQuem vier pela sinuosa estrada de Amarante e contemplar à direita e ao fundo, até mergulhar o seu êxtase nas águas marulhentas do Rio Tâmega. Quem alcançar o vivificante miradouro que prometeu um paraíso menos distante aos beneditinos do Mosteiro de Arnoia. Quem se debruçar em Gandarela, sobre o abismo das Ribas que se expandem até ao cenário do monte da Sra. Da Graça. Quem pairar lá no morro do Calvêlo ou ao redor da esmida da Senhora do Viso. Quem encontrar a alma no topo ameado dessa sentinela de cem olhos que é o Castelo de Arnoia...

...Pois quem assim souber perseguir a beleza, jamais poderá esquecer a visita que fez a Celorico de Basto.